Represa no Rio das Velhas, Minas Gerais, Manifesto contra sign now


Manifesto pelo Rio das Velhas

ou

Manifesto de Curvelo

O presente Manifesto pelo Rio das Velhas é iniciativa do Instituto Pró-Endêmicas, em parceria com outras organizações conservacionistas, contra a construção, pelo governo federal, de grande barramento no médio Rio das Velhas (nos municípios de Curvelo e Santo Hipólito, centro de Minas Gerais).

Essa represa inundará vasta área nos municípios de Curvelo, Santo Hipólito, Inimutaba, Presidente Juscelino e Gouveia, rica em matas ciliares e matas de encosta, cerrados, campos, áreas úmidas (lagoas, brejos, nascentes) e outras áreas naturais, eliminando grande parte de sua flora e fauna, incluindo peixes migratórios e outras espécies reofílicas (de água corrente), vegetais e animais.

A represa destruirá ainda sítios arqueológicos históricos e pré-históricos e inundará muitas propriedades rurais, com áreas produtivas importantes. O impacto regional será imenso, com reflexos em todo o Rio das Velhas e no rio São Francisco.


Introdução

Nós, abaixo representados, cidadãos, preocupados com a conservação da natureza, reconhecemos a enorme importância regional e estadual do Rio das Velhas (o velho Guaicuí), de seus afluentes e formadores e de sua bacia, quer por sua biodiversidade, quer por seu povo, ou pela qualidade de suas águas.
Reconhecemos os danos que os colonizadores e habitantes impuseram ao Rio das Velhas e a seus formadores, desde o século XVIII, pela destruição das matas ciliares e matas das encostas, dos cerrados, dos campos e dos brejos (incluindo corte raso, bosqueamento e incêndio). Toda essa destruição, muitas vezes desnecessária, como das matas ao longo dos cursos-dágua, possibilitou a erosão, o assoreamento, a turvação das águas e a perda de mananciais, além da redução da vazão.

Reconhecemos que esses impactos se verificaram, e continuam sendo exercidos, das nascentes mais remotas, nos altos da Serra do Cipó, a até 1.800 metros de altitude, até a foz do Rio das Velhas em Barra do Guaicuí, a 480 metros de altitude. Ainda assim, o rio Guaicuí é muito mais conservado, menos assoreado e comparativamente mais caudaloso, que o próprio rio São Francisco.

Reconhecemos que, mesmo com todas essas agressões, o Rio das Velhas e seus afluentes e formadores continuam cheios de vida, como o atestam os cardumes de peixes reofílicos (migratórios) que, no ocaso de cada ano, buscam os cursos superiores dos rios, em espetáculos de piracema grandiosa e promissora.

Reconhecemos, finalmente, que o único impacto significativo que ainda pouco perturbava a estabilidade ecológica da bacia do Rio das Velhas era o barramento. O Rio das Velhas é o único grande rio brasileiro que, situado em região densamente povoada, urbanizada e ocupada pela agropecuária, escapou da construção de grandes represas, que descaracterizaram de forma irreversível tantos rios em Minas Gerais, no Brasil e no mundo. Os cursos médio e baixo do Rio das Velhas não contam com nenhum represamento.


A ameaça

Agora o governo federal (Ministério da Integração Nacional, através da Companhia do Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba CODEVASF) impõe a Minas Gerais a ameaça do represamento do Rio das Velhas, com barramento (barragem) nos municípios de Curvelo e Santo Hipólito, próximo ao distrito curvelano de Tomás Gonzaga, e cerca de 14 quilômetros abaixo da foz do rio Paraúna.

A represa foi planejada para atender a necessidades de alguns produtores rurais no nordeste brasileiro, que serão beneficiados pela transposição do rio São Francisco.

O represamento de Curvelo e Santo Hipólito pretende fazer submergir toda a parte mais baixa do vale do Velhas a montante, até de Santa Rita do Cedro. Serão inundadas áreas extensas nos municípios de Curvelo, Santo Hipólito, Presidente Juscelino, Gouveia e Inimutaba. Se a altura do espelho-dágua for de 40 metros, como divulgado, também áreas dos municípios de Santana do Pirapama ficarão submersas.

O processo de projeto do represamento de Curvelo se fez sem consulta às comunidades local, regional e científica, desconsiderando a grande riqueza vegetal e animal dos ecossistemas dos rios, córregos e lagoas da bacia do Rio das Velhas.


Toda a biota dos riquíssimos fundos de vale do Rio das Velhas, de seus formadores e afluentes e de muitas nascentes será exterminada, de forma irreversível, sem ser pesquisada e inventariada.

Com a represa de Curvelo e Santo Hipólito desaparecerão as lagoas marginais (ipueiras) e os brejos, criadouros de peixes nativos. O ciclo natural anual de enchentes e estiagem, tão importante para a fauna de peixes nativos, será drasticamente modificado e mesmo eliminado.

É ilusório acreditar que a represa pretendida seja prejudicial apenas na área inundada, pois todo o rio, a jusante e a montante, será atingido negativamente. Peixes migratórios, impedidos de subir até seus locais de desova, poderão se extinguir, abaixo e acima do reservatório; poderá ser o caso do dourado, da tabarana, da matrinxã, de vários piaus, dos curimatás, do surubim, para citar espécies de interesse comercial.

O lago concentrará os agentes poluentes, que agirão como nutrientes, gerando a eutrofização, que por sua vez ocasionará proliferação de algas oportunistas que, ao morrer, eliminarão o pouco oxigênio ainda existente.

Muitos sítios arqueológicos, históricos e pré-históricos, serão destruídos para sempre, nos municípios de Santo Hipólito, Curvelo, Presidente Juscelino, Monjolos, Inimutaba e Gouveia.

Cerca de 12.000 de hectares de solos férteis, hoje ocupados por pequenas culturas e por matas portentosas e ricas, ficarão inviabilizados no fundo do lago, nesses municípios. Com isso os problemas sociais da região se acentuarão, com possível aumento do êxodo rural.

O reservatório cobrirá, ainda, paisagens únicas por sua beleza e sua biodiversidade, como várzeas amplas, matas de brejos, paredões e outros afloramentos rochosos, corredeiras com sua flora e fauna especializada, ressurgências calcárias, e muitos outros sítios geológicos e biológicos únicos e preciosos para a pesquisa, a educação e o turismo.

O enchimento da represa inviabilizará e anulará esforços de muitos anos das pessoas que, sozinhas, no terceiro setor, em movimentos sociais, CODEMAS e em instituições oficiais, enfrentando poderes econômicos e políticos poderosos, e contra tradições antigas, trabalharam contra a degradação do rio, de seus afluentes e formadores e de toda a bacia. Destacam-se os esforços do Instituto Guaicuí (promotor do Projeto Manuelzão) que, há vários anos, luta contra o represamento de Curvelo, e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas.

Para os membros da burocracia, da plutocracia e dos poderes econômicos, indiferentes ao homem e à natureza, um rio, por mais conservado que seja, é apenas um nome; mas para os habitantes de sua bacia, quer humanos, animais ou vegetais, um rio é habitat, meio de vida, tradição, história, cenário de evolução, futuro, vida.


Assine esta petição pelo Rio das Velhas, para que a represa não seja construída.


Se você quiser receber o Manifesto pelo Rio das Velhas na íntegra, em pdf, escreva para Celso do Lago Paiva ([email protected]), da Diretoria do Instituto Pró-Endêmicas.


O Manifesto pelo Rio das Velhas terá ampla divulgação na imprensa e na internet e será enviado às autoridades pertinentes, municipais, estaduais e federais.

Leia sobre o barramento e represa no Rio das Velhas, que está sendo imposto pelo governo federal, com todos os impactos sobre a biodiversidade:

1. http://www.manuelzao.ufmg.br/folder_informa/folder_ultima/barragens-revista-38.pdf

2. http://www.manuelzao.ufmg.br/folder_informa/folder_ultima/a-degola-do-rio-das-velhas

3. http://www.manuelzao.ufmg.br/folder_informa/folder_ultima/todos-pelo-mesmo-objetivo

4. http://www.manuelzao.ufmg.br/folder_informa/folder_ultima/sem-resposta

5. http://www.amda.org.br/detalhe/2,68,751,minas-ameaca-vetar-barragem-no-velho-chico.aspx

6. http://www.almg.gov.br/not/bancodenoticias/Not_636063.asp

7. http://www.eletrosul.gov.br/gdi/gdi/index.php?pg=cl_abre&cd=gflfeb7!\%60Occg
http://www.mi.gov.br/comunicacao/clipping/corpo.asp?id=4378

8. http://rederiodasvelhas.ning.com/profiles/blogs/24-demaio-curvelo-senhora

9. http://www.almirparaca.com.br/?sessao=materia&idMateria=2517
http://www.fabioavelar.com.br/2/index.asp?fator_paginas=1&cod_secao=3900&m=4&hiper=1&c=265&cod_pagina=16905&pag=1

10. http://www.riosvivos.org.br/canal.php?mat=8417

11. http://av.rds.yahoo.com/_ylt=A0oGktwDpm1LVCUAVjkLGqMX;_ylu=X3oDMTBvdmM3bGlxBHBndANhdl93ZWJfcmVzdWx0BHNlYwNzcg--/SIG=14ne4jd7r/EXP=1265563523/**http\%3A//www.mi.gov.br/download/download.asp\%3Fendereco=/saofrancisco/pdf/documentos/documento_16.pdf\%26nome_arquivo=documento_16.pdf



O Instituto Pró-Endêmicas é organização do terceiro setor, fundada em julho de 2005 na Serra do Cipó, dedicada à pesquisa e conservação de plantas nativas e de seus ecossistemas, com sede em Minas Gerais e âmbito de atuação nacional, sem fins econômicos:

http://br.groups.yahoo.com/group/proendemicas/

Sua Sede é em Curvelo, Minas Gerais

CNPJ: 07.587.821/0001-15

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Isaac DaughertyBy:
International PolicyIn:
Petition target:
Autoridades federais, parlamentares, instituições licenciadoras e membros de agências reguladoras

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