Praxe sign now


PETIЗГO


POR UM ENSINO SUPERIOR LIVRE, ONDE AS PESSOAS SEJAM RESPEITADAS E TRATADAS COMO... PESSOAS

Embora saibamos que, enquadradas nas praxes, se fazem, por vezes, actividades e jogos que promovem uma verdadeira integraзгo, desenrolando-se de forma responsбvel, num espнrito criativo e divertido, nгo nos parece que estas sejam a melhor maneira de acolher os novos alunos, pois, com demasiada frequкncia, sгo obrigatуrias, violentas, humilhantes e sexistas. Por isso, nгo desempenham um bom serviзo а comunidade e perturbam o normal andamento das actividades de ensino, administrativas e tйcnicas, sendo perfeitamente dispensбveis, como o provam anos e anos de vida acadйmica sem a sua existкncia. Podem e devem ser substituнdas por acзхes voluntбrias, tanto a nнvel cultural, como de informaзгo e convнvio, que favoreзam um bom ambiente para todos.

Por uma consciencializaзгo colectiva neste contexto, a nнvel nacional, e para que os responsбveis tomem as medidas necessбrias а cessaзгo dos abusos perpetrados nas praxes, contrбrios ao espнrito de liberdade e dignidade humana consagrado no meio acadйmico.

..................................................................................................................................................................................


SEGUEM-SE 2 TEXTOS DE APOIO:


PRAXE = (DES) INTEGRAЗГO?

I - Embora saibamos que, enquadradas nas praxes, se fazem por vezes actividades e jogos que promovem uma verdadeira integraзгo, desenrolando-se de forma responsбvel, criativa e divertida, de um modo geral, nгo nos parece que estas sejam a melhor maneira de acolher os novos alunos, pelo seguinte:

1. Existe, de forma quase sistemбtica, uma tendкncia para a coacзгo, sob pena de represбlias de vбria ordem ou de marginalizaзгo do meio estudantil, o que й completamente contrбrio ao espнrito de liberdade e cooperaзгo que se deseja numa Instituiзгo do Ensino Superior.
2. A maioria das atitudes dos organizadores deste "acolhimento" (que se prolonga por vezes durante todo o ano lectivo ou mais) й a de subjugar, humilhar e maltratar, tanto fнsica como psicologicamente, os novos alunos, imitando, de forma brutal e pouco imaginativa, o rнgido sistema do exйrcito, com palavras de ordem, gritos, ameaзas, insultos, jogos e exercнcios, geralmente, de uma violкncia primitiva e gratuita, com uma acentuada tуnica na animalizaзгo, culpabilizaзгo, servilismo (atй mesmo com extorsгo de dinheiro) e sexualidade obsessiva, desrespeitando os valores dos demais e estabelecendo, logo no inнcio do curso, um ambiente de desconfianзa, inseguranзa e ressentimento.
3. De vбrios pontos do paнs, conhecem-se histуrias arrepiantemente macabras, e que representam apenas a ponta do iceberg, pela sua agressividade, degradaзгo e irresponsabilidade, chegando ao extremo de afastar os alunos da prossecuзгo dos seus estudos ou, mesmo, de perigar as suas vidas, conhecendo-se casos mortais: beber urina; atirar-se de longe para dentro de uma piscina, mas falhar o alvo e morrer; mergulhar em бguas estagnadas (um aluno teve de se defender com um canivete e sу assim o deixaram em paz); ficar noites seguidas sem dormir, fazendo exercнcios fнsicos exaustivos, atй desmaiar (enquanto os organizadores fazem turnos para alcanзar o merecido repouso...); receber toda a espйcie de sevнcias sexuais perante plateias amedrontadas e/ou acйfalas; ficar de cabelo rapado (inclusive raparigas e, mais uma vez, perante as tais plateias), por desobedecimento аs repelentes ordens ditatoriais; saltar de uma janela, de olhos vendados, de um 2є andar, que afinal se revela ser um R/c, correndo mesmo assim o risco de fracturas; passar por entre duas filas de alunos, recebendo de ambos os lados vergastadas, que chegam a marcar o corpo; ou morrer durante uma praxe de tuna acadйmica, estando ainda as responsabilidades por se apurar. Todo este negro quadro й, com frequкncia, acompanhado pela presenзa do бlcool (e, cada vez mais, de drogas), constantemente apresentado, imposto mesmo, aos novos alunos, como forma de se atingir mais depressa objectivos de dominaзгo e alienaзгo.

II Porque se praxa?

1. Existe o argumento de que a praxe й tradiзгo antiga e mui nobre!, devendo por isso ser perpetuada de geraзгo em geraзгo. A palavra praxe significa: conjunto de regras ou normas de conduta coactivamente impostas para regular ou garantir os usos e costumes tradicionais na Academia coimbrг (In: Lopes, A. Rodrigues (1982). A sociedade tradicional acadйmica coimbrг: introduзгo ao estudo etnoantropolуgico). A sua origem, no inнcio do sйc. XIV, em Coimbra, baseou-se sobretudo na necessidade de policiar os novos alunos (Polнcia Acadйmica e mais tarde, Trupes), geralmente de forma violenta e despуtica, por meio de regras cruйis, obsoletas e despropositadas, de acordo com os costumes bбrbaros de entгo.
Na dйcada de 60, com o Luto Acadйmico, as praxes foram suspensas em Coimbra, nгo sendo alheio a este facto a luta dos estudantes e do povo portuguкs contra a ditadura. Depois do 25 de Abril, na dйcada de 80, as praxes reataram-se em Coimbra e, contra toda a lуgica, comeзaram a espalhar-se pelo paнs, tendo nуs chegado, actualmente, a um panorama deplorбvel que nos й relatado constantemente, tanto pela Comunicaзгo Social como na Internet.
Pensamos que o facto das praxes serem tradiзгo ou nгo й irrelevante, pois quando uma tradiзгo й mб, quanto mais depressa acabar, melhor! Alйm disso, os actos criminosos ou simplesmente de baixнssimo nнvel que sгo perpetrados por pessoas pavoneando-se com os trajes acadйmicos estгo, pura e simplesmente, a desonrб-los miseravelmente e a cobri-los de ridнculo.
2. Acreditamos que uma certa percentagem de estudantes acredita no valor da socializaзгo desta actividade, pretendendo apenas divertir-se sem maltratar, humilhar ou ofender, respeitando a liberdade de se participar ou nгo, brincando levemente aos exйrcitos e аs palhaзadas de Carnaval.
3. Infelizmente, uma, pensa-se que bastante maior, percentagem, aparentemente por nгo estar nada satisfeita consigo prуpria e com a vida em geral, parece necessitar de bodes expiatуrios para descarregar uma agressividade compensatуria do seu vazio e angъstia existenciais, deixando-se igualmente seduzir pela atracзгo do abismo dos instintos animalescos, em que a consciкncia e sensibilidade de seres com Cabeзa e Coraзгo sгo total ou parcialmente submergidas nesse mergulho no subconsciente, onde predomina o prazer do poder, o sexo, o sadismo, o masoquismo e a violкncia.
4. A impunidade que geralmente se verifica, mesmo em casos de feridos e mortos, й tambйm um factor que incentiva a que as praxes negativas continuem.
5. Serб que a obediкncia аs ordens praxantes a que os alunos foram sujeitos em anos anteriores й tal, que seguem а letra, conscienciosamente, a sugestгo: E prу ano praxas tu!???

III Й urgente uma actuaзгo eficaz dos Conselhos Directivos das Instituiзхes do Ensino Superior, dos Уrgгos do Governo responsбveis e das entidades Judiciais e Policiais, no sentido de proteger os alunos desta anomalia anacrуnica, rejeitada pela maioria da nossa sociedade e tгo criticada pela comunicaзгo social, a qual nгo pode por mais tempo continuar a ser ignorada por quem de direito. As queixas apresentadas (e importa criar condiзхes para que estas sejam feitas com seguranзa e com opзгo de sigilo) tкm de ser atendidas e os processos judiciais subsequentes, apoiados com verdadeiro espнrito de justiзa.

IV Conclusгo - A nossa Memуria Colectiva parece ter dificuldade em aprender com os erros do passado, tendendo a repeti-los... Й tempo de mudanзa e de deitar fora o que nгo interessa (mantendo as boas tradiзхes), procurando a inovaзгo e a evoluзгo constantes!
Solicitamos аqueles que desejam uma melhoria deste estado de coisas que assinem a Petiзгo disponнvel em: ??, onde se encontram mais informaзхes sobre o assunto.

....................................................................................................................................................................................


UM CASO EXEMPLAR

Inquйrito a caloiros de duas turmas
Relatos de praxes surpreendem universidade transmontana
02.02.2006 - 10h56 Celeste Pereira, (PЪBLICO)

Um professor da Universidade de Trбs-os-Montes e Alto Douro (UTAD), com sede em Vila Real, decidiu fazer um breve inquйrito escrito e anуnimo sobre a praxe acadйmica a alunos de duas turmas do 1.є ano. Os resultados da iniciativa foram surpreendentes e deixam perceber a violкncia de algumas destas prбticas.
Entre outras denъncias, os estudantes dizem que foram obrigados a "fazer posiзхes sexuais em pъblico", a "fazer de escravos" dos chamados "doutores", tratando da limpeza das suas habitaзхes. Os jovens caloiros denunciam ainda que tiveram de suportar "certas brincadeiras indecentes", "morcхes [larvas de insectos] nas meias, nos cabelos e no corpo", tiveram que comer alho, cebola e malagueta, rastejar na lama.

"O sentimento da esmagadora maioria dos alunos que responderam й de que a praxe dura demasiado tempo, й intensa, humilhante, degradante, cansativa, geradora de problemas de saъde e prejudicial para a organizaзгo da vida pessoal e do estudo", conclui Artur Cristуvгo, coordenador do Departamento de Economia, Sociologia e Gestгo da UTAD, que promoveu o inquйrito.

Foi apуs ter recebido os pais de uma caloira que se encontrava em coma no Hospital de Vila Real, devido a uma meningite adquirida durante o perнodo da praxe, que este catedrбtico decidiu avanзar com o inquйrito. "Disseram-me que a filha andava muito contente por estar na universidade, mas muito cansada e com problemas recorrentes de garganta. Contaram-me tambйm que ela lhes havia dito que tinha andado metida na lama, em riachos e a rastejar dentro de бgua... O pai atй nem se queixava, sу achava que os jovens deviam tomar uma vacina, como na tropa", relembra Artur Cristуvгo.

O relato destes pais, associado ao "coro de tosses" e аs "constipaзхes colectivas" dos jovens caloiros, motivou o docente a avanзar com o inquйrito em Novembro passado. O documento tinha apenas quatro perguntas sobre a praxe: para que serviu, coisas engraзadas, coisas sem graзa mas aceitбveis e coisas inaceitбveiS. A questгo que mereceu mais comentбrios foi esta ъltima: apenas trкs dos 43 inquiridos nгo citaram qualquer aspecto inaceitбvel. Artur Cristуvгo ficou "chocado": "Temos noзгo da praxe a partir daquilo que se vк, mas o que й preocupante й aquilo que a gente nгo vк." O docente enviou entгo os resultados do inquйrito a todos os seus pares e desafiou-os a envolverem-se activamente no processo de mudanзa da praxe.

Propor alternativas

O problema й que, atй agora, apenas o departamento deste docente reagiu, realizando reuniхes com alunos, que resultaram jб numa estratйgia de actuaзгo conjunta.

"Й importante que nгo nos demitamos de acompanhar o processo, de propor alternativas. Temos que debater com os alunos, informar os caloiros sobre o que й a vida universitбria, desmistificar a ideia de que a praxe й obrigatуria e procurar que cada novo aluno tenha um tutor, ou seja, um professor que o acompanhe mais de perto", defende Artur Cristуvгo.

Arnaldo Dias da Silva, coordenador do Departamento de Zootecnia, estranha por seu lado a inйrcia e passividade das autoridades acadйmicas e policiais, que acusa de serem "cъmplices" e "complacentes" com a situaзгo. "Andamos a tolerar movimentos absolutamente boзais e inqualificбveis. Os gritos de guerra que tкm o palavrгo como tema central passam-se nas instalaзхes da UTAD, а frente da reitoria..."

O reitor da Universidade de Trбs-os-Montes e Alto Douro, Mascarenhas Ferreira, refuta as acusaзхes e diz-se interessado "em transformar as praxes em prбticas verdadeiramente integradoras dos estudantes na universidade".

Mascarenhas Ferreira defende que o perнodo de recepзгo ao caloiro deve ser diminuнdo e considera "fundamental" a criaзгo do conselho de curso, уrgгo que terб a representaзгo de alunos de todos os anos. "Temos que constituir o grupo, organizar sessхes de natureza pedagуgica, colуquios, trabalhar e conversar com os praxadores no sentido de dissuadir este tipo de atitudes", afirma.

"Nгo se negoceia com quem humilha e abusa dos direitos mais elementares dos cidadгos. Esses tкm que ser punidos. Nesta matйria nгo pode haver contemplaзхes", contrapхe Arnaldo Silva. Hб poucos dias, este docente desafiou o reitor a retirar da pбgina da UTAD na Internet o Cуdigo de Praxe - "й indigno e humilhante", considera.


Sign The Petition

Sign with Facebook
OR

If you already have an account please sign in, otherwise register an account for free then sign the petition filling the fields below.
Email and the password will be your account data, you will be able to sign other petitions after logging in.

Privacy in the search engines? You can use a nickname:

Attention, the email address you supply must be valid in order to validate the signature, otherwise it will be deleted.

I confirm registration and I agree to Usage and Limitations of Services

I confirm that I have read the Privacy Policy

I agree to the Personal Data Processing

Shoutbox

Who signed this petition saw these petitions too:

Sign The Petition

Sign with Facebook
OR

If you already have an account please sign in

Comment

I confirm registration and I agree to Usage and Limitations of Services

I confirm that I have read the Privacy Policy

I agree to the Personal Data Processing

Goal reached !
900 / 100

Latest Signatures

  • 13 December 2015900. Maria Elisetel
    I support this petition
  • 03 December 2015899. Maria Josb
    I support this petition
  • 02 December 2015898. Ana Cristinav
    I support this petition
  • 20 November 2015897. Ceclia C
    I support this petition
  • 19 November 2015896. Vernica A
    I support this petition
  • 19 November 2015895. Ins Paisdesousabernardop
    I support this petition
  • 18 November 2015894. Incia F
    I support this petition
  • 05 November 2015893. Sandra M
    I support this petition
  • 05 November 2015892. Marta C
    I support this petition
  • 03 November 2015891. Maria Malheiror
    I support this petition
  • 01 November 2015890. Leonor Dagamacarvalhon
    I support this petition
  • 30 October 2015889. Rosa Melof
    I support this petition
  • 29 October 2015888. Ana Martaalvesb
    I support this petition
  • 21 October 2015887. Teresa A
    I support this petition
  • 18 October 2015886. Helena R
    I support this petition
  • 16 October 2015885. Pedro G
    I support this petition
  • 08 October 2015884. Erika Ivalp
    I support this petition
  • 05 October 2015883. Ana Borgesdea
    I support this petition
  • 02 October 2015882. Maria Joaol
    I support this petition
  • 02 October 2015881. Bruno Deaquinop
    I support this petition
  • 19 September 2015880. Ribeiro D
    I support this petition
  • 18 September 2015879. Jos Mendesh
    I support this petition
  • 18 September 2015878. Enrique Hm
    I support this petition
  • 15 September 2015877. Rosalina G
    I support this petition
  • 15 September 2015876. Cristina R
    I support this petition
  • 15 September 2015875. Maria P
    I support this petition
  • 14 September 2015874. Jaime G
    I support this petition

browse all the signatures

Information

Claire ObrienBy:
SportIn:
Petition target:
Exmo. Senhor Presidente da Repъblica, Exmo. Senhor Ministro da Ciкncia e do Ensino Superior, Assembleia da Repъblica, Exmo. Senhor Provedor de Justiзa, Conselhos Directivos de Instituiзхes do Ensino Superior, Associaзхes de Estudantes do Ensino Superior e

Tags

No tags

Share

Invite friends from your address book

Embed Codes

direct link

link for html

link for forum without title

link for forum with title

Widgets