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OMNIA VIVENTIA*

*Tudo o que é vivo
CARTA ABERTA À COMUNIDADE

ENFATIZANDO AÇÕES DE EDUCAÇÃO, PRESERVAÇÃO E GESTÃO AMBIENTAL RUMO À SUSTENTABILIDADE.



Iniciamos a redação desse documento após intensos esforços individuais efetivos nos últimos três anos, trabalhando pela disseminação da consciência ativista-ambientalista. Afastamo-nos de modelos doutrinários e hierarquizados na esperança de que uma nova forma de organização social ativista obtivesse melhores resultados do que grupos e instituições estruturadas sob alguma motivação que fugisse ao foco desse ideal.

Reunimos esforços com o objetivo de compreender o que por vezes dificultava a ação ativista. A intolerância religiosa, o massacre ao pensamento diferente, a esquisitice em relação à consciência política, a desconfiança em relação à institucionalização da causa ambiental, bem como a autopromoção de alguns em detrimento de outros. Dissonâncias produzidas quando da valorização de questionamentos, tendências à melhoria, avanços do coletivo em direção à visibilidade da causa, ao invés da promoção do proselitismo, sustentadas pelo status quo.

Citamos o caso recente da epidemia de dengue no Rio de Janeiro que mobilizou profissionais da área da saúde, voluntários, religiosos, artistas, comunicadores sociais, políticos e até mesmo funcionários de controle de tráfego e militares em prol do que é fundamental a este país: a vida saudável. É triste que seja necessário uma situação de calamidade pública para que cada profissional, cada cidadão pare um momento de prestar atenção no seu próprio umbigo e perceba que é necessário e pungente esquecer as diferenças de crenças, categorias profissionais, classes sociais, enfim, para se atingir o essencial, o fundamental e o necessário.

Acreditamos que empresários, educadores, sociólogos, antropólogos, médicos, psicólogos, advogados, jornalistas, comunicadores sociais, artistas, donas de casa, aposentados, veterinários, biólogos, lideranças políticas e espirituais prestam serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta, quando assumem a postura ativista.

Ser ativista, nunca foi sinônimo de ser fanfarrão como podemos ver a seguir:

ativista relativo ao ativismo - pessoa que exerce atividade política de forma empenhada; atitude moral e política centrada na preponderância das ações e na necessidade das realizações sobre os princípios teóricos;


fanfarrão - adj. e s. m., que ou aquele que alardeia valentia, sem a ter; impostor; jactancioso; gabarola, bazofiador.

Ativistas não somente plantam mudas ou afastam pragas, mas plantam sementes de consciência; fazem germinar as massas críticas; fazem florescer iniciativas grandiosas a partir de uma breve semeadura de informações construtivas, críticas e relevantes.

Não é possível fechar as portas, se trancar dentro de sua casa ou apartamento e fingir que nada de ruim poderá entrar. Mudar a programação televisiva para a alienante programação de filmes da TV a cabo para não assistir às mazelas da sociedade; manter fechados os vidros filmados dos carros blindados na intenção de afastar tentativas de seqüestro e assalto; ou escolher passar de helicóptero, avião ou jatinho particular por cima da realidade violenta e injusta que tomou as ruas desse país: fome, desemprego, falta de habitação e saneamento básico, tráfico de drogas, falta de educação de qualidade, etc.

Crenças arcaicas que reforçam previsões apocalípticas, relações de causa e efeito interpretadas como um sistema punitivo (pecado-culpa-castigo), ênfase à impotência e ao medo são meios de controle social que sabotam a capacidade humana na busca de soluções criativas e saudáveis para os problemas. Devemos lutar contra a prostração, a inércia e o comodismo e exercitar a capacidade empreendedora e de realização.

Se a realidade nua e crua é feia, melhor seria ignorá-la? Isso não é mais possível, pois a violência, a falta de saúde e a crueldade têm atingindo até os brasileiros que trocaram seu território por outro e que se achavam privilegiados em termos de oportunidades e civilidade.

Ledo engano! Não há para onde fugir. Temos acompanhado fatos dignos dos roteiros de Hollywood como: a destruição das Torres Gêmeas, do metrô na Espanha, da ameaça terrorista que culminou na morte de um brasileiro na Inglaterra; a reação da natureza às perfurações e testes nucleares no mar com o Tsunami que varreu a Indonésia e alterou em 3 graus o eixo de inclinação do planeta Terra; os profissionais contratados para garantir a segurança de nossas vidas e lares, agora matam sem perguntar, sem saber quem estão matando: pais, mães, crianças, bebês, idosos.

As Olimpíadas que deveriam ser prova de que podemos ter num mesmo ambiente convivendo e confraternizando universalmente as maravilhas de superação, beleza e diversidade humana, transformou-se no evento símbolo da segregação, da hipocrisia, do imperialismo, do massacre ao diferente em prol da propaganda imperialista enganosa que pensa ser possível tapar o sol da intolerância com violência e o silêncio fúnebre dos tibetanos.

Os céus da China apontam os altos níveis de poluição que colocam a saúde dos atletas e de toda a população em risco.

O mundo é retornável e não descartável!

Assim como um grupo de artistas redigiu a CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA iniciando a coleta de assinaturas e a divulgação não somente da retórica ambientalista, mas principalmente trabalhando pela conscientização ambientalista; devemos prever não somente a preservação da Floresta Amazônica, mas ir mais além: preservar a Mata Atlântica, o Pantanal, os mangues e mananciais, as espécies marinhas contaminadas pelo óleo derramado nos portos e também graças ao descaso de estrangeiros e de pseudo-cidadãos; mas, além disso, devemos trabalhar pela preservação do Ser Humano Consciente, tão raro na atualidade.

Desde crianças aprendemos a plantar uma semente, transportar uma muda, embelezar a casa com flores, mesmo que a triste realidade nos mostre que nem sempre há condições financeiras para se fazer disso um hábito. Por outro lado, falta ainda aprender a plantar a sustentabilidade e a resiliência como atitudes de verdadeiros cidadãos não somente aqui no nosso município (Guarulhos-SP), mas como cidadãos deste país, deste planeta e deste universo.

Plantemos sementes de consciência, que aprendam a fazer crescer na diversidade a compreensão e disseminação da tolerância, para que possam florescer iniciativas pela educação, pela valorização do ser humano sem distinção ou cotas e pela preservação e manutenção da saúde de seu meio-ambiente, pela saúde, pela cultura, pela criatividade, pelo ativismo, seja de forma institucionalizada ou não.

Que ecológico não seja um termo da moda para se rotular novos produtos ou produtos antigos que ganharam selos de qualidade por estarem dentro de normas internacionais de segurança e adequação. Que ecológico seja sinônimo da saúde física, mental, emocional, espiritual e atitudinal dos seres humanos, cidadãos do mundo.

Se há algo para se exterminar são posturas e não pessoas ou a biodiversidade.

Manifestamos nosso desagrado e empenho no extermínio de posturas egóicas, paralíticas e hipócritas de nossa sociedade. E antes que acendam a fogueira da ignorância e arrogância, nos convidando gentilmente a nela entrar e queimar, esclareceremos o que esse conceito significa literal e objetivamente:

- postura egóica = egoísta, unilateral, que busca poder ao centralizar informações que deveriam ser de conhecimento de todos;


- postura paralítica = não nos referimos, em hipótese alguma a pessoas portadores de necessidades especiais ou comprometidas por algum trauma em sua coordenação motora. Referimos-nos metaforicamente a pessoas cuja postura de acomodação, não permite o envolvimento com a causa sócio-ambiental, ou seja, não toma atitudes, não se mobiliza de forma ativista;

- postura hipócrita = atitude de pessoa que usa de hipocrisia (forma poética de hypócrísis, desempenho de um papel no teatro, dissimulação, impostura, fingimento; manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente se não tem.).


Antes de parecermos ecochatos nossa intenção é sensibilizarmos pessoas em prol do ambientalismo e do ativismo nos comprometendo com a preservação da vida e da saúde na biodiversidade. Não impomos crenças, nem adotamos discursos de partidos políticos, ou defendemos dogmas religiosos ou regimes alimentares isentos de proteínas animais.

Defendemos sobretudo a liberdade de escolha, o incentivo à saúde, a preservação do meio-ambiente (ar, água, terra, luz, alimento) e a vida com dignidade.

Acreditamos que o exemplo prático de um cidadão consciente e politicamente ativo é a maior lição que se dá com exemplos práticos e de vida, ou seja, não há nada mais rico que deixar um legado valoroso, saudável aos nossos filhos. As ações que promovem a vida em sua essência devem ser estimuladas por todos os cidadãos afim de promover as mudanças necessárias nos padrões autodestrutivos e eticamente doentes.

A malandragem, a esperteza, o jeitinho brasileiro de resolver as coisas são valores popularizados e disseminados em nossa cultura como extremamente viáveis e usuais. Vemos estes valores como ferramentas de banalização da ética e das regras e leis que existem na tentativa de nos tornarmos uma República Democrática e Socialmente Justa.

Chega de ativismo comercial! O tipo de movimento que é feito só para a sociedade acreditar que existem pessoas trabalhando pela causa, e que se ela contribuir com uma pequena taxa mensal ou anual ela estará isenta de qualquer responsabilidade ou atitude concreta seja local (em sua própria residência: reciclando o lixo e usando a água com responsabilidade) seja, prestando atenção nas leis que são votadas em seu município, estado ou país que favoreçam ou desfavoreçam a preservação do meio-ambiente.

Chega de especicismo! O que vemos ano após ano é a repetição de comportamentos completamente irracionais que fazem os animais e a natureza de maneira geral parecerem mais justos e sábios em suas reações do que os ditos homo sapiens. Não acreditamos que qualquer espécie mereça mais dignidade no tratamento do que a raça humana e vice-e-versa.

Chega da dominação doutrinária, política, física ou psicológica de uns sobre os outros! Em milênios de humanidade não foi possível chegar a um aprimoramento que determinasse que apenas uma única instituição, seja ela religiosa, partidária ou qualquer outro sistema institucional, fosse capaz de determinar o que é saudável universalmente.

Chega de campanhas que lutam contra: a fome, a miséria, a guerra, a violência, a supremacia de gêneros, a segregação racial, as doenças, a falta disso ou o excesso daquilo. Lutar contra é ser tão agressivo e impositivo quanto aqueles que colocamos como opositores. É a peste emocional em ação, sempre fazendo novas vítimas e novos inquisidores. Se fosse possível garantir a serenidade, a felicidade e plenitude dos povos dessa forma, o ser humano não se utilizaria de livros, legislações, tratados, manuais, templos e outros muros e fortalezas como mecanismo de imposição de regras sociais e de convivência harmoniosa que massacram indivíduos e grupos em prol de outro coletivo.

Perguntemos a nós mesmos e aos que estão ao redor (um vizinho, um parente próximo ou distante, um vereador, um deputado, um líder espiritual):

- Quantas pessoas você conhece (religiosos, pagãos ou ateus) que sabem que o lixo é para ser reciclado e não o fazem? E o pior, muitas vezes arremeçam seu lixo pela janela do carro ou discretamente jogam nas ruas?

- Quantas pessoas você conhece que, se tivessem acesso à informação, soubessem ler e escrever poderia sem dúvida alguma agir de forma ativa na preservação do meio-ambiente e da sustentabilidade?

- Quantas pessoas você vê por aí lavando a calçada e empurrando o lixo com a água que está em falta em um monte de lugares e logo, logo será mais caro que o ouro? E quantas pessoas você vê com coragem suficiente para criticar essa postura? Denunciar esta postura? E capazes de ensinar racionalmente o correto?

- Quantas pessoas há por aí que se dizem "cuidadores de animais" usam o dinheiro de doações em benefício próprio, acumulam os animais num quartinho ou quintal, sem alimento, sem água, sem calor e afeto?

- Quantas pessoas vão ao supermercado com seus carrinhos e sacolas para não levarem mais sacolas plásticas para casa?

- Quantas pessoas plantam hortas ou pequenos canteiros em suas casas e apartamentos e se alimentam de sua produção privilegiada sem agrotóxicos?

- Quantas pessoas vivem sem drogas, sejam elas as legalizadas (remédios, álcool, cigarro, entre outras.) ou não? Não somos contra a medicina, mas contra o consumismo, automedicação, o autoenvenenamento promovido pelas indústrias farmacêuticas. Somos a favor dos genéricos que popularizaram o acesso a medicamentos com quebras de patentes, transformando o Brasil num exemplo mundial do combate à Aids.

- Quantas pessoas optam conscientemente por ler, estudar, executar ações educativas, ambientalistas, ativistas ao invés de assistir novelas e engordar níveis de audiência dos veículos de comunicação em geral que se dedicam a explorar as desgraças alheias? Você sabia que há uma porcentagem de programação educativa exigida em contrato para a concessão de canais abertos e que não são cumpridos?

- Quantas pessoas pagam para ver e participar de programas televisivos do tipo reality show e deixam de contribuir com R$ 5,00, R$ 10,00, R$ 20,00, por acharem mais interessante consumir passivamente imagens produzidas da vida alheia, nutrindo alguma relação ilusória e simbiótica com as personagens esteriotipadas na telinha ao invés de ajudarem associações que cuidam de crianças com câncer, portadores de necessidade especiais; ações sociais que auxiliam na alimentação de pessoas através da coleta de restos dos restaurantes mais caros da cidade; doentes hemofílicos, soros-positivos; ONGs ativistas que não só irão se organizar politicamente para protestar como também desenvolver núcleos de educação ambiental e sustentabilidade?

- Quantas pessoas você conhece que não sabem o significado das palavras sustentabilidade e resiliência?

Pois bem, entendemos sustentabilidade como um conceito sistêmico onde se apliquem 4 princípios fundamentais:

o ecologicamente correto;
o economicamente viável;
o socialmente justo;
o culturalmente aceito.
Resiliência é um termo utilizado usualmente na física para designar materiais que suportam altas pressões e impacto, mantendo sua integridade.

Acreditamos que Resiliência é o melhor conceito para qualificar a ação do ambientalista na atualidade. A Professora e Dra. Sandra Maia Farias Vasconcelos descreve a resiliência como:

"a resistência do individuo face às adversidades; guiada por uma resistência física e pela visão positiva de reconstruir sua vida, a despeito de um entorno negativo, do estresse, das contrições sociais, que influenciam negativamente para seu retorno à vida. Assim, um dos fatores de resiliência é a capacidade do individuo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais críticos. Não se é resiliente sozinho, embora a resiliência seja íntima e pessoal. Um dos fatores de maior importância são o apoio e o acolhimento, feito em geral por outro indivíduo e essencial para o salto qualitativo que se dá."

Sim, é verdade que existem pessoas simples, sem acesso à informação, analfabetas, que vão contra a tendência à acomodação e realizam ações de educação ambiental, ativistas; trabalham na coleta e reciclagem do lixo, plantam, colhem e comercializam alimentos sem agrotóxicos; utilizam técnicas naturais de preservação do solo e preservam de seu próprio organismo sem uso de qualquer tipo de droga. E se em algum momento, alguém nos disse que nosso país carece de heróis, temos que discordar veementemente. Pois todos os dias essas pessoas sobrevivem e tem muito a nos ensinar sobre sustentabilidade e resiliência.

O ambiente em que vivemos agradável ou desagradável, saudável ou doente é fruto da ignorância, da arrogância, da falta de atitude e seriedade da população em pressionar por melhorarias efetivas para garantia da dignidade, preservação de direitos, saúde e segurança, de quem realmente trabalha e merece justiça social. Pode e deve exigir melhorias através de seus representantes em níveis municipal, estadual, federal e por que não dizer mundial.

Portanto, é inadmissível àqueles que têm informação, acesso à educação, capacidade de trabalho tanto intelectual, quanto físico; tanto individualmente quanto em grupo que se recusem a se organizar e pleitear a institucionalização de causas e trabalhar para que haja representação em todos os níveis pela SUSTENTABILIDADE, RESILIÊNCIA E EDUCAÇÃO. JÁ!

É hora de enxergarmos os seres humanos e a biodiversidade como monumentos vivos de nossa cultura e história, substituindo o especicismo pelo biocentrismo.

SEJAMOS EFETIVAMENTE UM POVO FLORESTA*!

Guarulhos, 08 de abril de 2008.



* O termo povo floresta significa: povo que vê a floresta intrinsecamente ligada a si e à rica diversidade humana.

Utilizar o termo povo da floresta, significaria apartheid, palavra de origem africana que significa "vida separada".


Créditos:

Redação: Tatiana Giordano
Revisão: Rafael Sabatini e Reginaldo Gomes.


OMNIA VIVENTIA LIBER EST!

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