Contratação irregular do escritório de arquitetura suiço Herzog & de Meuron para o projeto do Palácio da Dança sign now

Esta petição, aberta a todos os cidadãos de São Paulo mas dirigida especialmente à classe dos arquitetos brasileiros, destina-se a levar ao conhecimento do Governo do Estado de São Paulo algumas considerações sobre a contratação irregular do escritório de arquitetura suiço "superstar" Herzog & de Meuron para o projeto do Palácio da Dança, no terreno da antiga rodoviária (que pertenceu ao falecido Otávio Frias do grupo Folha de São Paulo).

1 - O governador José Serra, que escolheu este escritório, está em campanha aberta para a Presidência da República e pretende gastar no Palácio cerca de 300 milhões de reais (que já sabemos que se transformarão, durante a obra, em 600 ou 700 milhões) visando a um já mais do que manjado "Efeito Bilbao", de caráter eleitoreiro, em um estado com enormes carências na área habitacional, educacional, de transporte e saúde, com problemas de infra-estrutura e fundiários graves, etc. Além disso, o resultado arquitetônico de tais projetos feitos para a mídia internacional, em geral resultam deploráveis, como o próprio Guggenheim de Bilbao, de Frank Ghery, a casa da música do Porto, de Rem Koolhaas, o arranha-céu de Lomas de Chapultepec, Cidade do México, do mesmo arquiteto, as torres de Milão, de Daniel Liebeskind, etc..

2 - Pretende o Governo do Estado pagar ao Herzog & de Meuron 25 milhões de reais pelo projeto, enquanto que a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), por exemplo, paga cerca de 15 mil reais por projeto de escola de segundo grau com 15 salas de aula aos nossos arquitetos, o que não deixa de ser uma afronta à nossa categoria profissional.

3 - Vá lá que um escritório estrangeiro venha trabalhar no Brasil, se houver reciprocidade por parte do seu país, mas é evidente que tem de ser pelos mesmos honorários que o estado paga aos escritórios nacionais.

4 - O responsável pelo andamento deste projeto é o Secretário da Cultura, João Sayad, um banqueiro (ex?) e político, que quando dono do banco SRL S.A., participou ativamente da privatização das companhias de eletricidade e do Banespa, aqui em SP. Aliás é muito curioso que gente como o Sayad, o Luna, o Reichstul, o Lara Rezende, o Pérsio Arida, o Edmar Bacha e o Andrea Calabi, entrem no governo como professores universitários e saiam todos como banqueiros.

5 - Para fazer parte do "star system" arquitetônico internacional não é necessário muito talento, mas sim carisma, ambição social e uma boa assessoria de imprensa. O arquiteto catalão Ricardo Bofill, membro deste "Jet-set", disse certa vez que almejava a fama, mas não a do tipo que tiveram Le Corbusier e Walter Gropius, mas sim como a dos Beatles; já Phillip Johnson, ícone maior do estrelismo arquitetônico, não fazia segredo de sua falta de talento; quando certa vez um interlocutor apontou-lhe um defeito em um dos seus projetos, ele justificou-o explicando candidamente que era um bad architect. Pritzker por Pritzker preferimos o Oscar Niemeyer e o Paulo Mendes da Rocha.

6 - O Brasil tem pelo menos umas duas dezenas de arquitetos de nome que já projetaram teatros, salas de concerto, casas de ópera (e dança, naturalmente). Nos anos recentes o Instituto de Arquitetos do Brasil promoveu vários e concorridos concursos assemelhados, como a sede do grupo de dança "O Corpo" em MG, a Escola de Artes Cênicas da Unicamp, em Campinas, o Teatro Municipal de Londrina, PR, o complexo teatral de Natal, RN, a sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, etc.. Experiência no tema proposto é o que não falta aos nossos arquitetos.

7 - Aliás, os estudantes de arquitetura devem estar indignados; por que os fazem estudar arquitetura brasileira e internacional, arte e cultura brasileira e internacional, se no final das contas contratam um escritório estrangeiro?

8 - E por fim, ao que se saiba, ainda está em vigor a lei 5.194/66 que regula o exercício da profissão no Brasil, principalmente nos seus atigos 13 e 15. Um concurso internacional patrocinado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil seria até bem-vindo, desde que não discriminasse os escritórios nacionais e que fosse remunerado segundo as tabelas de honorários de nossos orgãos de classe e não pelas quantias astronômicas de um primeiro mundo ao qual ainda não pertencemos.

Euclides Oliveira - Arquiteto
Pitanga do Amparo - Arquiteto

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