CARTA ABERTA DOS REALIZADORES AUDIO VISUAL DO RGS assine agora

 

Às Vossas Excelências

Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Senhor Tarso Genro

Secretário da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, Senhor Luís Antônio de Assis Brasil

Prefeito do Município de Porto Alegre, Senhor José Fortunati

Secretário da Cultura de Porto Alegre. Senhor Sérgius Gonzaga

 

Porto alegre, 05 de novembro de 2012.

 

Nós, realizadores, artistas, técnicos profissionais, professores e estudantes da área do audiovisual do Estado do Rio Grande do Sul vimos, por meio desta, compartilhar nossa profunda preocupação quanto ao descaso dos gestores públicos em relação às políticas de desenvolvimento do audiovisual no Estado do RS e no município de Porto Alegre.

É evidente a queda progressiva no índice de produção de curtas, médias e longas-metragens gaúchos ao longo dos últimos 12 anos.

Na década de 1990, o Rio Grande do Sul era o 3º maior produtor de filmes do Brasil, estando atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje nos encontramos na 9a posição nacional (conforme Dossiê da APTC/RS apresentado à Sedac em 2010, com dados de incentivos estaduais e municipais entre 2006 e 2009).  Entendemos que esta situação é reflexo da falta de incentivo dos governos locais para produção de filmes, desenvolvimento de projetos, realização de séries de TV e distribuição de conteúdo audiovisual no Rio Grande do Sul.

Os editais de fomento à produção cinematográfica do Estado foram sendo extintos ou reduzidos ao longo dos governos. O Prêmio RGE de Cinema para longas terminou na 3a edição, em 2005; o Prêmio Santander para desenvolvimento de projetos de longas-metragens em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre voltou reestruturado em 2009, após uma pausa, porém com valores reduzidos; o Fumproarte, da Prefeitura de Porto Alegre, foi reduzido de duas edições semestrais para uma edição anual. É importante salientar que o Fumproarte, no período entre 2000 e 2004 apoiou 26 projetos de audiovisual, sendo 24 de curtas-metragens (conforme relatório do Fumproarte de 1997 a 2005). Por fim, o Prêmio Iecine de curtas teve o último edital lançado em 2008 e, até o momento, somente uma sucessão de expectativas para o anúncio de um novo concurso que nunca acontece de fato.

O resultado concreto dessa falta de incentivos ficou evidenciado no último Festival de Cinema de Gramado - Prêmio Assembléia Legislativa. Dos 21 curtas-metragens concorrentes, apenas 04 tiveram recursos incentivados por editais: 02 foram produzidos pelo Fumproarte, 01 por edital de cidade do interior do RS e 01 por edital da Petrobrás. Os 18 demais foram viabilizados mediante investimento dos próprios realizadores ou de financiamentos coletivos privados - o que significa trabalho voluntário por parte de toda a equipe e elenco, não valorizando o profissionalismo individual e muito menos movimentando a economia.

Se, por um lado, o esforço dos profissionais da área demonstra uma vontade maior e garante uma produção constante, por outro lado esta situação resulta em perda da qualidade estética e narrativa, uma vez que um orçamento reduzido influencia negativamente o resultado final da obra. A maior consequência disto é o número inexpressivo ou inexistente de produções gaúchas selecionadas nos grandes festivais de cinema recentes.

O Rio Grande do Sul é um Estado que preserva seu folclore e tradições, mas não podemos nos ater ao passado como base de toda produção cultural. Precisamos investir e desenvolver novos métodos para disseminar nosso real retrato cultural de hoje. Nosso povo precisa ser representado pelo que há de novo nas ruas, pelos pensamentos que marcam o presente. Temos potencial e provamos isso através das nossas produções artísticas, que nos representam em eventos fora do estado e do país.

É repetitivo falar aqui sobre a importância da realização audiovisual para o desenvolvimento cultural de uma região, bem como sobre sua eficiente penetração nos mais diversos públicos a partir de formatos diferentes de exibição como cinema, internet, televisão, etc, o quanto colabora para divulgação do turismo, dos valores e da cultura local. Além disso, já é notório também que a prática audiovisual incentiva à cadeia produtiva, pois oxigena financeiramente inúmeros setores mercadológicos. Contudo, apesar de todos esses argumentos, associados ao talento local já comprovado internacionalmente e ao potencial do Rio Grande do Sul para a produção audiovisual, o setor segue abandonado pelos gestores públicos que o encaram como algo de menor relevância na estratégia de desenvolvimento da cidade e do estado.

A criação pelo governo estadual do FAC e do Edital de Finalização de longas-metragens é importante, mas estas iniciativas devem se atualizar tanto no fomento a diferentes formatos do audiovisual, como no aumento efetivo dos valores investidos, a exemplo de outros estados com editais específicos para a área como São Paulo, que em 2012 teve R$13.795.000,00 de recursos do Estado e da Prefeitura, e Pernambuco, que destinou R$ 11,5 milhões somente do Governo do Estado para 103 projetos em 2012. O audiovisual gaúcho precisa urgentemente de investimentos robustos para se tornar uma importante ferramenta estratégica, que pode proporcionar um real desenvolvimento cultural, social, educacional e econômico de forma mais ampla e democrática.

Queremos um estado e uma capital atuantes, que sejam parceiros dos realizadores e das instituições para a elaboração de uma clara política pública voltada ao audiovisual.

A falta desta política e de investimentos deixa claro que o Estado e o Município viraram as costas às políticas de desenvolvimento cultural. Paralelamente e na contramão da ausência de políticas públicas para a área, os cursos acadêmicos de cinema e audiovisual em Porto Alegre e cidades do interior seguem formando grande número de novos profissionais qualificados, mas que não encontram espaço de trabalho.

Nosso sentimento é de apatia aos constantes discursos que soam belos em tempos de campanha e eventos festivos. Continuamos perdendo nossos profissionais que buscam melhores condições de trabalho fora do estado, reduzindo cada vez mais a participação do RS em festivais de cinema nacionais e estrangeiros. Precisamos de ações concretas e urgentes para reverter esta situação limite.

            Por tudo isto nos colocamos à disposição para o diálogo, solicitando ao poder público resoluções propositivas para o desenvolvimento local do setor, que destine amplos recursos em linhas de incentivo para a produção audiovisual permanente, em diversas linhas de fomento e que proporcione o retorno do Rio Grande do Sul à posição anteriormente ocupada, que rendeu ao Estado uma visibilidade estética, cultural e econômica no país. Somos profissionais, estudantes, críticos e professores, sabemos da importância estratégica do nosso setor em qualquer plano de governo, por isso, queremos o reconhecimento devido para que possamos colaborar para um Estado mais próspero e atuante culturalmente.

 

Assinaturas:

Nome – Entidade/Empresa/Função - Cidade – no. RG

valeria tovar verba - diretora de arte - ContraFilmes - POA - RG: 3017271739  

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06 novembro 2012, um ano atrás Inserida Em:
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carta aberta, cine gaúcho, diretores, produtores, técnicos cine

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